sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Ladrão tomando conta do presídio

Recentemente, várias figuras importantes de cargos de confiança do governo Dilma têm caído ou se demitido por denúncias de corrupção. Seja faxina, como afirmam alguns, ou desmoronamento, como dizem outros, o fato é que mais uma vez (grande surpresa) o roubo dos cofres públicos é pauta na imprensa. Por incrível que pareça, a nota do Brasil no IPC, índice que avalia o nível de corrupção, tem melhorado, embora ainda seja muito baixa: 3,7.

3,7?

Ok, muito baixa não. Extremamente baixa. A Itália de Sílvio Berlusconi, que foi o berço da máfia e até hoje enfrenta escândalos diários, ainda assim, tem uma nota um pouco melhor que a nossa: 3,9. Ruanda, berço daquele genocídio que espantou o mundo a menos de 20 anos, supera os dois países, com nota 4. Países com população extremamente pobre e com IDH muito inferior ao nosso, como Gana, Tunísia (que vivia uma ditadura até o começo do ano), Namíbia e Jordânia, tem avaliações muito melhores que a nossa.

Por quê?

Eu quero acreditar que ainda existem políticos bem intecionados no Brasil, mas a diferença do nosso 3,7 para o 9,3 de Dinamarca, Nova Zelândia e Singapura me deixam em situação complicada. Não podemos culpar o povo por achar que todo político é ladrão, não é?

O interessante é observar o círculo vicioso que se forma: os escândalos estouram, a população fica cada vez menos crente em mudanças, e deixa a corrupção "rolar solta", o que aumenta a sensação de impotência. Não podemos esperar que os políticos façam as mudanças. Quem é que quer mudar quando está bem? Nós, prejudicados, é que temos que intervir. Os países de onde mais vemos notícias de protestos contra a corrupção, como Chile, Inglaterra e França, têm nota muito maior que a nossa, 7 ou mais.

Não podemos esperar que os bandidos acabem com a bandidagem.

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