Recentemente, várias figuras importantes de cargos de confiança do governo Dilma têm caído ou se demitido por denúncias de corrupção. Seja faxina, como afirmam alguns, ou desmoronamento, como dizem outros, o fato é que mais uma vez (grande surpresa) o roubo dos cofres públicos é pauta na imprensa. Por incrível que pareça, a nota do Brasil no IPC, índice que avalia o nível de corrupção, tem melhorado, embora ainda seja muito baixa: 3,7.
3,7?
Ok, muito baixa não. Extremamente baixa. A Itália de Sílvio Berlusconi, que foi o berço da máfia e até hoje enfrenta escândalos diários, ainda assim, tem uma nota um pouco melhor que a nossa: 3,9. Ruanda, berço daquele genocídio que espantou o mundo a menos de 20 anos, supera os dois países, com nota 4. Países com população extremamente pobre e com IDH muito inferior ao nosso, como Gana, Tunísia (que vivia uma ditadura até o começo do ano), Namíbia e Jordânia, tem avaliações muito melhores que a nossa.
Por quê?
Eu quero acreditar que ainda existem políticos bem intecionados no Brasil, mas a diferença do nosso 3,7 para o 9,3 de Dinamarca, Nova Zelândia e Singapura me deixam em situação complicada. Não podemos culpar o povo por achar que todo político é ladrão, não é?
O interessante é observar o círculo vicioso que se forma: os escândalos estouram, a população fica cada vez menos crente em mudanças, e deixa a corrupção "rolar solta", o que aumenta a sensação de impotência. Não podemos esperar que os políticos façam as mudanças. Quem é que quer mudar quando está bem? Nós, prejudicados, é que temos que intervir. Os países de onde mais vemos notícias de protestos contra a corrupção, como Chile, Inglaterra e França, têm nota muito maior que a nossa, 7 ou mais.
Não podemos esperar que os bandidos acabem com a bandidagem.
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